3° Crônica- Quando o pai vira tio

Arthur acabou de completar dois anos em Maio. O curioso é que pouco antes de fazer aniversário, começou a me chamar carinhosamente de “Tio”. Isto porque tenho uma enteada de nove anos, chamada Tainá, que desde que começou a acostumar-se comigo (estou junto com a mãe dela há quatro anos), sobretudo este ano, chama-me dessa forma.  Meu primogênito, então, ora me chama de pai, ora de “tio”. No começo, desculpem-me a ignorância e a minha hipersensibilidade, achava que meu pequeno estava me caçoando. Depois de duas semanas, percebi a conexão que ele faz quando Tainá me chama de tio. É que na cabecinha do Tuthuio, não há esta maldade em me provocar…

            A associação é direta: se a irmã chama a mãe de mãe e a mim de tio, logo, o certo será me chamar de tio ou pai? Se para alguns adultos entender os graus de parentesco já é difícil, imagine para uma criança. Não vai adiantar dizer agora ao Tuthuio que ele deve me chamar de Pai porque sou o seu genitor, progenitor, ou ainda gerador, que nosso parentesco é consanguíneo, e que nesta linha sucessória há vínculo direto entre os descendentes e ascendentes. Que essa linha direta é ilimitada, nela o grau se conta em cada geração. Tuthuio é 1º Grau (filho), o filho do Tuthuio será de 2º grau (neto), e que o filho do filho dele será de 3º Grau (bisneto). Que existe também a linha colateral na qual, embora não descendendo um do outro, os descendentes são de um tronco ancestral comum (até o 6º grau). E que neste caso temos os irmãos (2º grau), tios (3º grau), sobrinhos (3º grau), sobrinho-neto (4º grau), primos (4º grau), primo-segundo (5º grau), primo-terceiro (6º grau). E que ainda há os parentes por afinidade, como por exemplo: os sogros, os enteados, as noras, os genros, os cunhados. Ufa!!!

            Resolvi relaxar e passei a me divertir com esta cena que se tornou corriqueira.

Afinal, são tantas as informações com as quais ele tem que lidar no dia a dia, que, aos poucos, tais informações passarão a fazer parte da construção psíquica de Arthur, que, com o passar dos dias, está se tornando mais engraçado, espirituoso e pragmático…

-Não é, Tio?

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