Ternura: crônicas sobre a primeira infância

A seguir mostro a você, caro(a) leitor(a) meu Trabalho de Conclusão de Curso TCC), tendo base a vida do meu primeiro filho, Arthur.

Este trabalho foi feito com muito esforço e muito amor e resultou na minha aprovação no curso de Comunicação Social -ênfase Jornalismo, no primeiro semestre de 2016.

São uma série de oito crônicas falando da aventura de ser pai pela primeira vez (hoje tenho mais um filho) e nas quais me emocionei muito…!

Para não ficar exaustivo, vou delimitar uma crônica por dia, acrescido do sumário, comentários e epílogo, além, é claro, da apresentação.

Espero que gostem!

Benvindo à bordo!

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UNIVERSIDADE FUMEC


FACULDADE DE CIÊNCIAS HUMANAS SOCIAIS E DA SAÚDE – FCH

MÁRCIO FREDERICO MAZONI ANDRADE


Ternura:


crônicas sobre a primeira infância


Belo Horizonte


2016

MÁRCIO FREDERICO MAZONI ANDRADE


Ternura:
crônicas sobre a primeira infância


Relatório de conclusão de curso apresentado à Universidade FUMEC como requisito parcial para obtenção de diploma de Bacharel em Jornalismo.

Orientador: Professor Aurélio Silva


Belo Horizonte


2016

AGRADECIMENTOS


A Deus, sem o qual eu nada seria;
a meus pais, que sempre me apoiaram desde o começo;
a meu padrasto (in memorian), que sempre acreditou no meu potencial;
a meus parentes, amigos e família, sempre me dando suporte;
a meus filhos, especialmente o Arthur, fonte do meu projeto;
a minha mulher, Renata, pela sua paciência e amor comigo;
a meus professores que me fizeram uma pessoa melhor. Destaque aqui para meu professor orientador Aurélio José da Silva, pela sua ajuda inestimável.

RESUMO


Este trabalho resultou em oito crônicas jornalísticas sobre a primeira infância, coletânea intitulada “Ternura”. O projeto foi desenvolvido tendo por inspiração o conceito de flâneur, de Baudelaire, que foi amplamente experimentado por João do Rio, propiciou ao autor a observação descontraída dos primeiros anos de vida de seus filhos, além de pesquisas sobre os assuntos abordados e entrevistas com especialistas e pais. Embora a crônica se diferencie do texto noticioso por não buscar exatidão da informação, as histórias aqui narradas são todas de cunho real.


Palavras-chave: crônica, primeira infância, jornalismo.

ABSTRACT


This work resulted in eight journalistic chronicles on early childhood entitled compilation “Tenderness”. The project was developed based on the concept of the flâneur, Baudelaire, which was largely experimented by João do Rio, led the author to casual observation of the early years of their children, as well as research on the subjects covered and interviews with experts and parents. Although chronic differs from news text by not seeking information accuracy, the stories narrated here are all real nature.
Key words: chronicles, early childhood, journalism.

SUMÁRIO

1 APRESENTAÇÃO ………………………………………………………………. 7
2 TERNURA: CRÔNICAS DA PRIMEIRA INFÂNCIA ……………………..9
2.1 VOLVER A LOS DOS……………………………………………………………………10
2.2 UNDERCOVER……………………………………………………………………12
2.3 QUANDO O PAI VIRA TIO……………………………………………………14
2.4 PSIU………………………………………………………………………………….15
2.5 ATLETA PETIZ…………………………………………………………………………..17
2.6 DO OUTRO LADO DA LINHA……………………………………………….19
2.7 ENQUANTO HOUVER LEITE! ………………………………………………21
2.8 SIM É SIM E NÃO É NÃO! ……………………………………………………23
3 CONCLUSÃO…………………………………………………………………………24
REFERÊNCIAS ………………………………………………………………………….25

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APRESENTAÇÃO


Este Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) tem como objetivo a elaboração de crônicas jornalísticas que relatam os primeiros anos de vida da criança e seus obstáculos e vitórias. Para isso, além da experiência pessoal do pesquisador, que é pai de dois meninos nessa faixa etária, serão apresentadas perspectivas de outros pais e especialistas.
Os textos da crônica jornalística, geralmente, tratam de temas e problemas cotidianos, assuntos comuns do dia a dia; são curtos; organizados em torno de um único tema ou problema e têm como objetivo envolver e emocionar o leitor.
Jorge de Sá (1992, p. 12) recorre a Rubem Braga para definir a crônica como um instante. Braga afirma o gênero textual como um brevíssimo instante, em que se oculta a complexidade das nossas dores e alegrias, protegidas pela máscara da banalidade.
Em nome dessa aparência amena é que, muitas vezes, nos desobrigamos de pensar a vida. Em nome dessa mesma aparência, o escrivão do cotidiano compõe um claro caminho, através do qual o leitor reencontra o prazer da leitura e – mesmo que não o perceba – aprende a ler na história “inventada” a sua própria história. (BRAGA apud SÁ, 1992, p.12)
Quando publicada em jornais e revista, a crônica se diferencia do texto noticioso ou da reportagem por não buscar exatidão da informação. Enquanto na notícia o jornalista procura relatar os acontecimentos, na crônica, ele analisa os temas, dá um colorido emocional, mostra outro ângulo de uma situação comum ao leitor.
Nesse sentido, o jornalista/cronista se preocupa em dar maior atenção aos problemas da vida urbana, do mundo contemporâneo e de pequenos acontecimentos cotidianos, comuns nas grandes cidades. Para este trabalho, o tema escolhido foi a primeira infância.
É na primeira infância que damos nossos primeiros passos. Não só literalmente, mas principalmente pela simbologia que ela representa. Nessa fase maturacional em que a criança se desenvolve (segundo a OMS – de 0 a 4 anos, mas para outras fontes de 0 a 6 anos ou até mais, como afirma o professor José Olavo de Oliveira Malta, docente da Universidade


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FUMEC1), vários fenômenos são observados, e, a partir daí acontece uma vasta gama de atitudes, valores, crenças, desejos que são únicos.
No entanto, são os pais que dão o balizamento e são seu principal sustentáculo durante essa fase, mesmo porque está comprovado cientificamente que os filhos herdam não só a cor do cabelo ou o formato dos olhos ou do nariz dos seus pais, ou seja, a herança genética, mas também traços de personalidade, temperamento, aptidões, conforme o autor aprendeu durante sua matrícula na disciplina “Psicologia do Desenvolvimento Humano da Criança e do Adolescente”, na Universidade FUMEC, ministrada pelo professor José Olavo de Oliveira Malta – primeiro semestre de 2016.
Pode-se então dizer, segundo Malta, que a primeira fase é caracterizada pelo grande volume de transformações orgânicas e psíquicas, bem como de uma quantidade enorme de aprendizagem de conceitos e experiências.
A importância dessa temática para o trabalho aqui apresentado pode ser ressaltada pelo fato de o assunto fazer parte do grupo de temas que ficam excluídos das pautas cotidianas das redações de veículos noticiosos tradicionais ou por figurarem, muitas vezes, apenas na imprensa segmentada. A escolha do gênero crônica se deve ao fato de ser possível, por meio deste estilo textual, retratar episódios da primeira infância de forma lúdica e informativa.
A seguir serão apresentadas oito crônicas jornalísticas intituladas “Ternura”, resultado do trabalho cuja inspiração é atribuída a João do Rio² e sua prática de flâneur ou, seja, refletir, “ser basbaque e comentar, ter o vírus da observação ligado ao da vadiagem”; “perambular com inteligência” (RIO, 1997, p. 50-51). Na sua experiência, o autor observou o dia a dia de seus filhos de forma descontraída e, parafraseando João do Rio, “num dito que faz sorrir”, “cujo riso de amor causa inveja”.
Este trabalho não se quer um manual de boas maneiras, tampouco de sofismas ou proselitismo. O que se busca, de fato, são histórias reais cotidianas embasadas por especialistas, pai, além, é claro, da experiência do narrador relatando algumas experiências com seus filhos.
2 O termo flâneur vem do francês e significa “vagabundo”, “vadio”, “preguiçoso”. Charles Baudelaire desenvolveu para esse termo o significado de “uma pessoa que anda pela cidade para experimentá-la”. Esse exercício amplamente praticado por João do Rio, principalmente para produção de sua obra “A alma encantadora das ruas”. Em nossa flâneur mudamos o objeto, em vez da cidade, a primeira infância.
1 Entrevista concedida ao autor do trabalho em 10/04/2016.

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TERNURA


Crônicas sobre a Primeira Infância


Por Márcio Frederico Mazoni Andrade

VOLVER A LOS DOS

  • (VOLTAR AOS DOIS)
    Pego uma carona na lindíssima canção de Mercedes Sosa “volver a los diecisiete” e faço do título desta crônica voltar aos dois. Sim, aos dois anos de idade. Que idade linda!
    Fase de descobrir o mundo, decifrar os signos, e adaptar-se ao meio.
    Todos nós, em alguma época de nossas vidas, temos certa nostalgia da nossa tenra infância. O apego à mãe, posteriormente ao pai e aos irmãos é algo que transcende toda e qualquer explicação científica e/ou secular. Devemo-nos atentar para o fato de que somos finitos e passíveis de erro. Todavia, para nossos filhos, somos “super-heróis”, somos perfeitos. Na medida em que amadurecemos, vemos que a vida é uma dura lida, repleta de toda gama de frustrações e desencontros. Mas, jamais devemos perder a nossa essência: a criança que habita em nossas almas.
    A vida é a arte do encontro, da despedida, e, por isso, fiz essas constatações na parte introdutória. Não quero dizer que a vida deva ser chata, algo maçante, um engodo. Muito pelo contrário, devemos nos aventurar em busca de nossa felicidade, de nosso destino.
    Essa travessia é bem mais fácil fazer quando encontramos a criança que existe dentro de nós. Por isso, o nascimento do Arthur me fez refletir sobre esta condição. Um tempo para olhar dentro de seus olhos e ver pureza, inocência, gozo, fé.
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    Dessa maneira, importamo-nos mais com as coisas do coração e menos com as coisas que nos preocupam e nos faz sofrer.
    De acordo com Tatiani Rabelo Lapa Santos – Mestranda em Educação pela Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Claudia Panizzolo – Professora Adjunta da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP), é importante considerar que se por um lado as crianças não são sujeitos passivos que apenas incorporam a cultura adulta, por outro lado, as crianças não vivem em outro mundo, um mundo à parte, porque é nas relações sociais que as crianças crescem e se constituem como sujeitos, ou seja, é no mundo marcado pelas estruturas materiais, sociais, emocionais e cognitivas que as crianças constituem suas identidades como crianças e como membros desses grupos sociais, criando suas culturas infantis.

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